Enquanto milhões acompanham os grandes estádios do futebol brasileiro pela televisão, em Porto Velho existe outro futebol sobrevivendo longe dos holofotes, e talvez justamente por isso carregando uma relação ainda mais próxima com sua torcida.
O tradicional futebol de várzea da capital entra novamente em evidência com o Campeonato Portovelhense de 2026. A Série A reúne 20 equipes, divididas em quatro grupos, com jogos disputados no tradicional Campo do Esperança.
Não existem arenas milionárias, camarotes sofisticados ou contratos gigantescos de televisão. Existe o campo, a torcida na beira do gramado, jogadores defendendo suas comunidades e uma tradição construída ao longo de mais de duas décadas.
E o impacto não termina quando o árbitro apita.
Nos dias de partidas, vendedores ambulantes encontram no movimento dos torcedores uma oportunidade de renda. Comida, bebida e pequenos produtos comercializados ao redor dos jogos ajudam famílias e transformam o campeonato também em uma pequena engrenagem econômica dentro das comunidades.
O Campeonato Portovelhense deste ano possui ainda uma característica que promete aumentar a disputa: quatro equipes serão rebaixadas.
Isso significa que, além da briga pelo título, haverá uma batalha paralela pela permanência na principal divisão da várzea da capital.
O modelo ajuda a explicar por que o futebol amador continua resistindo em Porto Velho.
Ali não existe apenas futebol.
Existem amizades antigas, rivalidades entre bairros, famílias acompanhando jogadores, crianças observando os adultos dentro de campo e histórias que passam de geração para geração.
É justamente dessa estrutura aparentemente simples que muitas vezes aparecem jogadores capazes de buscar oportunidades maiores.
Porto Velho pode não possuir atualmente um clube disputando a elite do futebol brasileiro. Mas basta visitar os campos espalhados pela cidade para perceber uma realidade diferente:
futebol nunca faltou por aqui.
Talvez o grande desafio seja justamente criar caminhos para que o talento que nasce no terrão consiga chegar cada vez mais longe.
JH Notícias




















