São tempos assustadores quando se observa a violência com que fenômenos naturais têm atingido diferentes partes do planeta. Nas últimas semanas, a preocupação chegou com força à América Latina, com terremotos devastadores, tempestades severas, granizo e tornados deixando um enorme rastro de destruição.
Na Venezuela, dois fortes terremotos atingiram o país em 24 de junho. Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram uma das maiores tragédias recentes da região. Semanas depois do desastre, o número de mortos já estava na casa dos milhares, além de milhares de feridos e desabrigados.
Agora foi a vez da Colômbia.
Na segunda-feira (10), um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste colombiano e provocou destruição em diferentes cidades. O balanço mais recente já aponta pelo menos 265 mortos, enquanto centenas de pessoas continuam desaparecidas.
Cali, Pereira, Manizales e Quibdó estão entre as áreas afetadas. Equipes de resgate trabalham entre os escombros, enquanto sucessivas réplicas mantêm moradores e socorristas em alerta.
BRASIL TAMBÉM ACENDE O SINAL DE ALERTA
O Brasil está distante das áreas de maior atividade sísmica do planeta e não enfrenta terremotos destrutivos na mesma proporção de alguns países vizinhos. Isso, porém, não significa que esteja livre de eventos naturais extremos.
Temporais acompanhados de ventos violentos, enchentes e episódios de granizo têm provocado prejuízos em diferentes regiões. Em alguns eventos, pedras de gelo de grandes dimensões foram registradas.
Outro fenômeno chama atenção: os tornados.
Durante muito tempo associados, no imaginário brasileiro, principalmente às impressionantes imagens registradas nos Estados Unidos, eles fazem parte também da realidade meteorológica do Brasil, especialmente na Região Sul.
Levantamento divulgado neste ano apontou 81 tornados registrados no Brasil entre janeiro e julho de 2026, número que chama atenção para a elevada ocorrência de tempestades severas no país.
O TORNADO QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA
Um dos episódios mais violentos já documentados no território brasileiro aconteceu em 30 de setembro de 1991, atingindo principalmente Itu e Salto, no interior de São Paulo.
O tornado foi classificado como F4 na Escala Fujita, categoria associada a danos devastadores.
Os ventos chegaram a aproximadamente 300 quilômetros por hora.
A força foi impressionante.
Um obelisco de aproximadamente 100 toneladas foi derrubado. Veículos chegaram a ser arrastados por centenas de metros e construções foram severamente atingidas.
Ao todo, 15 pessoas morreram.
Mais de três décadas depois, o tornado de Itu continua sendo lembrado como um dos episódios mais extremos já registrados no Brasil.
UM CONTINENTE EM ALERTA
Os fenômenos ocorridos nas últimas semanas não significam que terremotos, tornados ou tempestades tenham uma única causa — são eventos meteorológicos e geológicos distintos e precisam ser analisados separadamente pela ciência.
Mas a sequência de tragédias impressiona.
De um lado, terremotos devastadores atingindo países vizinhos. Do outro, tempestades severas, enchentes, granizo e tornados mostrando que o Brasil também precisa aperfeiçoar constantemente seus sistemas de previsão, alerta e proteção da população.
As imagens que durante décadas pareciam pertencer apenas aos grandes filmes-catástrofe ou a acontecimentos registrados a milhares de quilômetros de distância estão cada vez mais presentes no noticiário sul-americano.
E deixam uma mensagem clara: prevenção, monitoramento e capacidade de resposta podem representar a diferença entre um fenômeno natural e uma tragédia de grandes proporções.




















