Conhecida pela atuação em defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e dos povos da floresta, Neidinha Suruí, candidata ao Senado pelo PSB em Rondônia, afirma ser vítima de violência política e promete recorrer às autoridades para defender sua candidatura.
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Mãe de Txai Suruí, ativista internacionalmente reconhecida que se tornou a única rondoniense a discursar na Organização das Nações Unidas (ONU), Neidinha construiu uma trajetória marcada pela defesa dos povos tradicionais, da preservação ambiental e de grupos historicamente marginalizados.
A denúncia ganhou repercussão na imprensa regional e nacional após uma articulação que, segundo aliados de Neidinha e do candidato ao governo Samuel Costa, teria como objetivo inviabilizar a chapa majoritária do PSB em Rondônia.
Segundo a denúncia, uma tentativa de retirar as candidaturas de Samuel Costa e Neidinha Suruí teria partido de uma articulação política envolvendo setores interessados em uma nova composição eleitoral. Os fatos também são relacionados pelos denunciantes ao candidato ao governo pelo PT, Expedito Netto, embora eventual responsabilidade pessoal ou partidária dependa de apuração e comprovação.
A situação ganhou ainda um componente político envolvendo Expedito Netto e seu pai, Expedito Júnior (PSD), que, segundo a denúncia, atua como coordenador da campanha de Adailton Fúria, candidato ao governo de Rondônia pelo PSD, partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab. O episódio evidencia as disputas e os diferentes projetos políticos que se movimentam nos bastidores da eleição estadual.
Candidaturas foram aprovadas por aclamação
A chapa do PSB em Rondônia foi aprovada durante convenção partidária, com as candidaturas de Samuel Costa ao governo e Neidinha Suruí ao Senado recebendo apoio dos convencionais. Os registros das candidaturas também foram realizados.
Na tarde de 14 de agosto de 2026, um representante da direção nacional do PSB teria realizado uma videoconferência com três candidatos do partido a deputado federal. Segundo a denúncia, o objetivo seria convencê-los a pressionar Samuel Costa e Neidinha Suruí a desistirem de suas candidaturas para abrir espaço a uma nova composição política.
A iniciativa provocou reação imediata entre os integrantes da chapa e aliados, que classificam a movimentação como uma tentativa de retirar do processo eleitoral candidaturas legitimamente aprovadas pelos convencionais.
“Não será um mini-projeto de ditadorzinho”
Neidinha Suruí reagiu de forma contundente à tentativa de pressão e afirmou que não pretende abrir mão de suas convicções nem da candidatura.
“Sou uma mulher de garra, vim do seringal, fiz mestrado e doutorado. Tenho uma vida dedicada a enfrentar tiranos, vassalos, torturadores e ditadores. Não será um mini-projeto de ditadorzinho que vai fazer eu abrir mão das minhas convicções e de um direito confiado pelos diretórios estadual do meu partido, que obedeceu todo o rito legal previsto em nosso ordenamento jurídico”, afirmou.
A candidata disse ainda que pretende recorrer às autoridades caso as pressões continuem.
“Se for para ir para o enfrentamento, vamos enfrentar os abusos, pois violência política é prevista como crime, e iremos representar na Polícia Federal e na Justiça Eleitoral para que tomem as medidas que o caso requer, e que isso não se repita, a cultura do sexismo, machismo estrutural e da violência contra o povo”, declarou Neidinha.
Violência política contra mulheres
A denúncia também coloca no centro do debate a violência política contra mulheres. O Código Eleitoral, em seu artigo 326-B, prevê como crime eleitoral determinadas condutas de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidata, quando praticadas com menosprezo ou discriminação à condição de mulher e com a finalidade de impedir ou dificultar sua campanha ou o exercício do mandato.
A eventual caracterização de crime, contudo, dependerá da análise dos fatos pelas autoridades competentes e da comprovação dos requisitos previstos na legislação.
Para Neidinha, a questão vai além de uma disputa interna de partido. Trata-se, segundo ela, de defender o direito das mulheres de ocupar espaços de poder sem sofrer intimidação.
A candidata afirma que sua trajetória pessoal e política não será interrompida por pressões. Sua atuação em defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e dos povos da floresta lhe conferiu reconhecimento dentro e fora de Rondônia.
O candidato Samuel Costa também declarou que não pretende retirar sua candidatura e classificou qualquer tentativa de mudança do cenário eleitoral sem respeito às decisões das convenções como uma ação que deverá ser enfrentada pelos meios políticos e jurídicos cabíveis.
O episódio deverá agora ser acompanhado pelas instâncias do PSB e, caso as denúncias sejam formalizadas, pelas autoridades eleitorais e policiais responsáveis pela apuração de possíveis irregularidades.
Em meio à disputa eleitoral, Neidinha resume sua posição em uma frase: não pretende recuar diante daquilo que considera uma tentativa de violência política e afirma que defenderá até o fim o direito que recebeu dos convencionais do PSB.




















